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Fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro.

A vida de um louco. A mente de um maluco. O que pode surgir desse mar de Apreenção? Descubra aqui .


quinta-feira, 15 de julho de 2010

Loucura'

Cheguei a minha casa... As sombras ao meu lado se agitavam e tentavam avisar-me que algo estava errado. Ignorei-as.

- Vocês devem estar exagerando. Duvido que haja algo lá além de meu cão e os outros.

Entrei na casa. O clima estava estranho. Talvez as sombras tivessem razão. Ou talvez eu é que tivesse ficado um pouco paranóico. Meu cão não havia ido me receber. Isso não é motivo para tanto.

No entanto... ele sempre o fazia. Minha mente vagou pelo cômodo. Uma, duas, três vezes. Nada encontrei. Portanto continuei a avançar.

- Duque? Duque, você esta ai? - Ouvi um ganido vindo do quarto. Sai correndo em direção a ele.

As sombras me gritaram. Será que é seguro mesmo ir em direção ao som apavorante? E se for um ladrão?

- Não interessa. Nenhum ladrão vai ferir meu cachorro enquanto eu estiver por perto! - Elas gritaram novamente "Então fuja!" e logo algumas delas desapareceram. Só poucas continuaram. Sombras pretas, exalando cheiro de pneu queimado. Que estranho. Elas nunca faziam isso. A não ser para afugentar alguém para longe de mim.

- Com licença, senhor. Mas tem de vir conosco. Seu cão ficará bem, não se preocupe.

Não me preocupar? Se há uma coisa que eu aprendi nesses meus 10 anos de convivência com as sombras é a me preocupar sempre que alguém falar para você não se preocupar. Ele agarrou meu braço com força e começou a me arrastar junto a ele para a saída da casa. Não falei que deveria me preocupar?

- Não faça isso! Quantos anos o senhor ai acha que eu tenho? Cinco? Pois eu tenho dezesseis e com muito orgulho viu! Posso andar sozinho. E não só isso. Posso muito bem cuidar de mim mesmo. - Quando vi o choque em seu rosto me aproveitei para arrancar a mão dele de meu braço e me esquivar de seu parceiro que desajeitadamente tentou me agarrar de novo. - E podem me dizer para onde pensam que estão me levando?

O cheiro das sombras negras se intensificou. Os pelos de meus braços se eriçaram por causa disso. Era horrível. Mas apesar disso funcionava pois com aquele cheiro qualquer um respondia as minhas perguntas, não importando quão tolas ou quanto evitavam me responder.

- Onde está meu cão aliás? Deve estar em algum lugar por aqui espero. Fiquem ai enquanto dou uma olhada.

Eles não suportaram o poder que da minha voz emanava junto com a ajuda das sombras e enfim não suportando seu peso seus joelhos dobraram-se com eles ficando assim, de joelhos em minha frente. Achei meu cão em outro cômodo.

Virei-me de volta assim que o soltei da jaula em que o trancaram. Ele veio correndo comigo.

- E então. Para onde vamos? - Algo atingiu minha nuca. Não havia percebido que eles dois tinham amigos com eles. Mais dois apareceram ali ao lado.

- Você verá meu amigo. Você verá.

- Vocês não são meus amigos. Eu não tenho amigos. E mesmo que tivesse eles não me tratariam assim.

- É claro que não tem. E como pode saber anormal?

Eu já observara aquelas pessoas tão loucas varias vezes. A unica coisa que percebi na maior parte do tempo eram loucuras mas algumas vezes vi outras coisas. A paixão, as amizades. Coisas tão difíceis de se compreender para mim. Não por eu ser tão diferente mas sim por não ter nada parecido para comparar. A inconsciência tomou meu corpo graças aquele dardo que me foi lançado e mais dois que me atingiram, eu ficaria inconsciente por alguns dias.

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