Isso é muito bonito...
Casper me levou até o terraço. Demos sorte, pois ninguém nos viu. Pelo menos, nenhum dos babás...
O terraço mais alto era realmente alto... Mais alto do que o muro que nos separa do mundo lá fora, mais alto do que muitos prédios... Mais alto do que qualquer lugar onde eu já estive.
Como ele havia dito, realmente dava para ver as sombras do alto. Mas era apenas isso... qualquer tipo de comunicação com elas seria impossível. Elas estavam longe, muito longe...
É isso: tenho que aprender a viver sem elas. Preciso recomeçar, preciso encontrar um novo sentido para a minha existência... Afinal, esse é o meu novo lar agora...
"Sinto muito que tenha que ser desse jeito. Mas não se preocupe, você vai ver, vai encontrar amigos aqui."
Eu sei disso. Mas eu não desejava essa mudança. Eu sei que eu tenho que aceitar, mas...
"Vai ficar tudo bem... É melhor decermos, ou então podem dar a nossa falta lá embaixo..."
Tem razão. Vamos descer.
A descida também se deu sem problemas.
"Está surpreso? Eu tinha te dito, Licurgo, eles nunca sobem aqui"
É, mas, mesmo assim, eu não imaginava que seria assim...
Quando voltamos ao campo, este estava tomado por gritos. Mas não eram gritos que vinham da mente de alguém. Eram gritos que poderiam ser ouvidos por qualquer um, gritos "falados".
"Tem alguém novo aqui"
Novo? Acho que o mais correto seria "nova". Era a voz de uma menina. Havia um grupo em volta do lugar onde ela deveria estar, por isso não consegui vê-la.
"Eu acho que eu estou vendo ela. Mas... minha nossa, é uma criança!"
Criança?
"Deve ter uns dois ou três anos. Nossa, nunca tinha visto alguém tão jovem por aqui..."
O que está acontecendo? Não estou vendo...
"Estão tentando fazê-la ficar quieta. Ela está desesperada. espera, eles... acho que injetaram um calmante nela..."
Deveria ser verdade, pois os gritos cessaram. A multidão em volta dela se dispersou. Finalmente consegui vê-la: realmente, parecia ter uns dois ou três anos. Estava quase inconsciente no gramado.
"Quer ir falar com ela? Não acho que tenha algum problema"
Me aproximei da garota. Uma das babás começou a me encarar seriamente.
- Eu... quero...ir...para casa...- a menina falava lentamente, com certeza devido ao medicamento. Ela parecia mais um bebê. Fiquei me pergutando quem seria o doente que a teria mandado para cá.
- Amigo,... não... me deixe...- ela não estava se referindo a mim. Olhei para trás, mas não consegui ver quem era o "Amigo".
A garota fechou os olhos. Estava inconsciente.
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